Você é aquele tipo de pessoa sempre comprometida em ser politicamente correta? Você costuma amenizar os termos do que quer dizer para evitar mágoas ou ressentimentos nas pessoas? Você é do tipo que se segura diante do que os outros poderão pensar? Você é do tipo que usa indiretas para conseguir o que quer? Se respondeu “sim” a qualquer uma das perguntas acima, é bom rever a sua forma de pensar e agir antes de elaborar um questionário de pesquisa. Por quê? Porque você corre o risco de perguntar uma coisa que não é exatamente a que você queria saber e, como consequência, receber respostas que não vão lhe servir de nada.

Veja alguns exemplos fictícios de coisas que foram perguntadas num questionário, lado a lado com as informações que realmente interessava conhecer:

O que se perguntou no questionário

O que realmente se queria saber

Se os moradores de um bairro consideravam o grafite como uma forma de arte

O que os moradores do bairro pensavam do uso dos espaços públicos do bairro como “telas” para as pinturas dos grafiteiros

Se os pais dos alunos de uma escola concordavam com as práticas pedagógicas da escola

Se esses pais pretendiam manter seus filhos matriculados na escola no ano seguinte

Se os espectadores de TV apoiavam a existência de um canal educativo

Se eles assistiriam à programação de um canal educativo

(Aos frequentadores de restaurantes de fast food) Se eles acreditavam nas matérias sobre saúde publicadas em jornais e revistas

Se esses consumidores estavam a par das matérias publicadas na imprensa a respeito da influência do fast food na saúde dos usuários

 

Não é necessário muito raciocínio para se concluir que a coluna da direita não tem nada a ver com a da esquerda. OK: até tem um pouquinho a ver, mas está longe de ser a mesma coisa, concorda? O ponto que eu quero defender: não adianta fazer as perguntas do lado esquerdo (“elegantes”, não constrangedoras, nada intrusivas, etc.) se o que você realmente quer saber é o que está no lado direito. Os exemplos acima estão propositalmente forçados, mas é muito comum encontrarmos questionários com perguntas que no máximo tangenciam o que o cliente da pesquisa realmente queria saber. O que ele poderá fazer quando tabular as respostas? Se for honesto, deve jogá-las fora; se não for, extrair mil conclusões tão brilhantes... quanto falsas.

Teste Teste Teste