Nas Dicas 11 e 12, eu fiz questão de apontar o grave erro que é acrescentar às perguntas informações que não devem constar em um questionário. Agora estou defendendo o fornecimento completo de informações nas perguntas! O que é isso? – perguntará você, atento leitor – será que, como em algumas lojas comerciais, “o patrão ficou maluco”?

Não, não fiquei maluco – pelo menos, ainda não. Trata-se, amigo, de duas coisas bem diferentes. Nas Dicas 11 e 12 estávamos falando de induzir respostas, isto é, de pôr palavras na boca dos indivíduos pesquisados. Aqui vamos falar de algo bem distinto.

Vamos lá: como consultores de pesquisa, temos sempre que garantir que os indivíduos submetidos ao questionário compreendam perfeitamente as perguntas que lhes são feitas, certo? Ora, muitas vezes o assunto da pergunta é complexo, e nem sempre se pode contar como certo que as pessoas vão entender a pergunta. Vejamos um exemplo: imagine que você vá aplicar um questionário a um grupo de professores, com o objetivo de saber como eles classificam os seus alunos nos diversos tipos de inteligência emocional. Você acha que bastaria fornecer aos professores títulos como “espacial”, “corporal-sinestésica”, “intrapessoal”, “naturalista”, etc., como as diversas dimensões da inteligência foram batizadas na literatura especializada?

A menos que esses professores fossem versados na teoria da inteligência emocional, não nos parece prudente simplesmente “sair soltando” esses termos em um questionário. Pelo contrário, cada um deles deve estar claramente definido, para que os professores tenham plenas condições de fazer a sua análise de cada aluno, segundo o significado correto de cada dimensão. E cabe a você, redator do questionário, fornecer essa descrição. Aliás, isso é o mínimo que você deveria fazer na busca de respostas comparáveis (já imaginou o que seria tabular dados em que diferentes respondentes entendem coisas diferentes de uma mesma pergunta?). Note que não há nessas definições nada que se pareça, nem de longe, com indução de resposta. Trata-se de dois mundos bem diferentes.

Conclusão: Nunca deixe de fora da sua pergunta nenhuma informação necessária ao seu entendimento, isto é, nunca deixe a sua pergunta capenga, aberta a diferentes interpretações por falta de informação.

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