O que significa o verbo permitir? Consentir, autorizar, dar liberdade, dar licença, como na frase “A diretoria da Empresa permite o uso de roupas esporte às sextas-feiras”? Ou tornar possível, facilitar, como em “A constante dedicação aos estudos e a total disponibilidade permitiram-lhe galgar rapidamente os degraus da Companhia”? Ou então admitir, tolerar, como em “A natureza do trabalho não permite atrasos”?

E proibir, o seu exato oposto: o que significa? Mas espere um momento: proibir é realmente o exato oposto de permitir? Bem, com certeza sim, nas acepções de impedir ou vedar, como na frase “A Empresa proíbe que seus empregados recebam presentes de valor superior a R$100,00”. Mas e nas demais? Será que proibir também se usa como impossibilitar, dificultar? Hmm... parece que não, né? Você não vai dizer que “O cumprimento dos horários de expediente proíbe a ascensão na Empresa”, se o que quer dizer é que a dificulta, concorda? E na acepção de não tolerar: será que podemos empregar o verbo proibir? Dizer que “Os pais não toleram que a filha faça programas com a turma do teatro” é o mesmo que dizer que “Os pais proíbem a filha de sair com a turma do teatro”? Não, né?

Ou seja: proibir não é o exato oposto de permitir – pelo menos não em todas as acepções de permitir. Ora, se é assim, fica claro que não é indiferente você fazer uma pergunta no seu questionário usando uma ou outra palavra. Vamos a um exemplo. Considere as duas perguntas a seguir:

“Na sua opinião, o governo do Estado deveria permitir as manifestações de rua?”

“Na sua opinião, o governo do Estado deveria proibir as manifestações de rua?”

Suponha que a primeira pergunta tenha constado de um questionário e contado com 40% de concordância. Você acha que, se a segunda pergunta tivesse sido feita em seu lugar, iria obter 60% de concordância? Pense bem antes de responder!

Dou-lhe uma, dou-lhe duas... Acertou quem respondeu que não necessariamente. Proibir parece se associar a um conceito mais duro do que simplesmente não permitir. No exemplo dado, a palavra pode transmitir a ideia de uma privação de um direito civil. Só isso já pode ser um motivo suficiente para que a concordância com a segunda pergunta seja menor do que os tais 60%!

Não espere que as duas respostas somem 100%. Questionário não é matemática; ele mexe com percepções muito subjetivas das pessoas.

Conclusão: quando estiver elaborando perguntas que envolvam aparentes antônimos, use os dois termos no enunciado e faça uma oposição entre eles. Por exemplo: “Na sua opinião, o governo do Estado deveria permitir ou proibir as manifestações de rua?”

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