– Oi, Fulano, tudo bem?

– Tudo ótimo; e contigo?

– Maravilha! E quais são as novidades?

– Ih, rapaz, não são muito boas, não: meu pai caiu e quebrou a perna; minha mulher está cumprindo aviso prévio; meu filho repetiu de ano, e o locador do apartamento onde eu moro pediu o imóvel de volta. Tá bom ou quer mais?

O que você observa no diálogo acima? O mesmo indivíduo que, cinco segundos antes, havia respondido que estava tudo ótimo desfiou um rosário de revezes quando perguntado sobre as novidades! Você acha que isso é muito incomum? Não, não é. Não é incomum no cotidiano... nem em pesquisa.

Se num questionário você fizer uma pergunta genérica – equivalente ao “Oi Fulano, tudo bem?” da conversa acima – é possível que a resposta seja uma; se você for um pouco mais específico, não estranhe se for outra. Quer um exemplo?

É muito comum, em pesquisas eleitorais, os políticos quererem saber como estão “na foto”, certo? Imagine, então, uma pesquisa com a seguinte pergunta: “De zero a dez, que nota você daria para o desempenho do presidente José das Couves?” Você aplicaria esse questionário da pergunta solitária pelo país afora, computaria os resultados e chegaria a uma média, certo?

Imagine agora que, em vez de uma pergunta apenas, você incluísse outras. Você manteria a pergunta acima como a primeira, mas faria estas outras, logo em seguida:

“E especificamente na área de política externa?”

“E na área social?”

“E na economia?”

“E no diálogo com o Congresso?”

“E na questão fundiária?”

Etc.

Você não esperaria que os respondentes avaliassem igualmente todas essas frentes, esperaria? Não é de se esperar que alguém – seja um presidente da república ou qualquer outra pessoa – tenha um desempenho igualmente bom, mediano ou mau em todas as frentes em que atua, concorda? Agora responda, amigo leitor: suponha que você peça a avaliação do presidente em todas as áreas em que ele atua. Você acha que, tirando a média das respostas de todas as perguntas específicas, você chegará à nota dada à pergunta inicial, genérica?

Não sei o que você respondeu, mas posso afirmar que essas notas não coincidem necessariamente. Existem algumas razões para isso, mas não vamos entrar nesse mérito agora. O que eu quero destacar com este exemplo é o seguinte: perguntas genéricas geram respostas genéricas. Se o resultado for excelente (uma nota altíssima para o desempenho do líder da nação), é sinal de que os eleitores estão em lua-de-mel com o presidente; se for baixíssimo, o presidente certamente conta com uma forte rejeição do povo. Agora... e se o resultado for mediano? Em que pontos será que o presidente está indo bem, na opinião dos eleitores? Onde é que ele vai mal? Em que pontos o presidente deveria atuar de modo a melhorar a sua avaliação junto à população? Com uma pesquisa de uma pergunta só, teríamos muito pouco material de trabalho, concorda? Nesse contexto, as perguntas específicas têm importância capital.

Ou seja, leitor amigo, não seja genérico, se o que você precisa é de respostas específicas.

Teste Teste Teste