Existem profissionais de pesquisa que, por devotar grande atenção à formulação das perguntas, acabam relaxando na hora de redigir as opções de resposta. Um dos descuidos que esses profissionais cometem agindo assim é elaborar uma lista de opções que não são mutuamente excludentes, quando deveriam ser.

Um exemplo: suponha que, num questionário sobre a empresa Gryfth (fictícia), encontre-se a seguinte pergunta: “Como tomou conhecimento da nossa empresa?” Bem, havemos de concordar que as pessoas tomam conhecimento sobre alguma coisa de uma fonte única. Depois, podem até ouvir falar na coisa por outras fontes, mas a ideia de “tomar conhecimento” refere-se à primeira vez em que se viu ou ouviu falar da coisa em questão. Ora, sendo assim, nada mais lógico do que criar opções independentes de resposta. Imagine a seguinte lista de opções:

a) amigo /colega / parente
b) jornal / rádio / TV
c) internet
d) trabalho
e) apresentações / palestras / seminários da empresa

O sr. João das Couves, respondente da pesquisa, tomou conhecimento da Gryfth por meio de um colega, no trabalho. Que resposta ele deve assinalar: “a” ou “d”? Ambas são possíveis, certo?

É... quem redigiu o questionário da Gryfth comeu mosca. Se é tão importante para a Empresa distinguir a fonte de informação (entre trabalho e outras estruturas sociais), então que crie duas opções independentes de amigos / colegas / parentes – uma para trabalho, outra para demais grupos. Se não for importante, elimine a opção “trabalho”.

Existem outros tipos de superposição. Observe, por exemplo, as opções abaixo, de resposta à pergunta “Qual o seu grau de instrução?”.

a) Fundamental incompleto
b) De Fundamental incompleto até Ensino Médio incompleto
c) De Ensino Médio incompleto até Ensino Superior incompleto
d) Ensino Superior completo ou além

Quem não completou o Ensino Fundamental deve assinalar qual opção: “a” ou “b”? E quem não chegou a terminar o Ensino Médio: “b” ou “c”?

O correto seria frasear as opções de forma um pouco diferente. Por exemplo:

a) Fundamental incompleto
b) Fundamental completo até Ensino Médio incompleto
c) Ensino Médio completo até Ensino Superior incompleto
d) Ensino Superior completo ou além

Agora sim: todos os respondentes se encaixam em uma única opção resposta.

Agora: há outra coisa a considerar também: o conjunto das opções de resposta deve cobrir todo o universo de resposta. Em linguagem mais informal, não pode haver “buracos”. Dou, a seguir, um exemplo de pergunta com opções de resposta esburacadas.

Qual é a sua idade?

( ) Menos de 18 anos
( ) Entre 19 e 29 anos
( ) Entre 30 e 39 anos
( ) Entre 40 e 49 anos
( ) Mais de 50

Pergunto: quem tem 18 anos assinala qual das opções? E quem tem 50?

Pobres respondentes: não têm onde se encaixar! O redator do questionário comeu mosca e deixou buracos entre as opções!

Conclusão: quando se preconiza que as opções de resposta de uma pergunta fechada devem ser mutuamente excludentes e sem vazios, o que se quer dizer é que essas opções de respostas devem ser criadas de forma tal que todos os respondentes sempre encontrem alguma resposta em que se encaixem e que essa resposta seja única.

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