Suponha que uma clínica tenha acabado de fazer uma grande modernização das suas instalações, num esforço de torná-las mais confortáveis para os clientes. Os sócios agora desejam saber como os clientes avaliam as áreas reformadas e, para tanto, contratam uma pesquisa. O bravo Otacílio, responsável pela pesquisa, elabora um questionário, no qual inclui as seguintes perguntas:

“Você considera que a atual área de atendimento é mais confortável que a antiga?”

“Você considera que a atual área de exames é mais confortável que a antiga?”

“Você considera que as atuais salas de consultas são mais confortáveis que as antigas?”

Etc.

O que você acha, amigo leitor: tudo bem?

Não, não está tudo bem. Se a intenção é comparar o agora com o antes, deve-se perguntar exatamente isso, sem palavras recheadas de conceitos. Seriam preferíveis, então, as seguintes formas de redação:

“Como você avalia a atual área de atendimento, comparativamente com a anterior?”

“Como você avalia a atual área de exames, comparativamente com a anterior?”

“Como você avalia as atuais salas de consultas, comparativamente com as anteriores?”

Ué! Qual é a grande diferença? – você poderá perguntar. A grande diferença, dedicado leitor, é que, no segundo conjunto de perguntas, busca-se eliminar qualquer possibilidade de associação do conceito de “mais confortável” com as atuais instalações. Dito de outro modo: a menos que a reforma tenha ficado uma porcaria, e o resultado se mostrado pior do que era, as pessoas tenderão a responder que sim, caso você mantenha a redação inicialmente apresentada.

Na Dica nº 42, eu menciono uma tendência que as pessoas têm de concordar com o que leem. Ora, se isso existe e se nós queremos obter respostas isentas para as nossas perguntas, não vamos correr o risco de induzir os indivíduos pesquisados a nos dar respostas possivelmente enviesadas, vamos? Ei! Eu falei em induzir! Será que usar nas perguntas palavras que expressam juízo de valor leva a tanto? Estaríamos pondo palavras na boca dos respondentes?

Bem, criterioso leitor, um pouco, sim, e de forma sutil. Mas estaríamos. Portanto, não se esqueça: em perguntas que envolvem comparações, evite palavras ou expressões que contenham julgamentos, como “melhor”, “mais aprimorado”, “mais moderno”, “mais confortável”, etc., OK?

Teste Teste Teste