Otacílio, o novato e animado elaborador de questionários de pesquisa, redige as suas perguntas, obtém a aprovação do questionário pelo cliente e determina à sua equipe: “Saiam a campo e apliquem o questionário”. Pois é: as suas perguntas estão tão claras, tão bem formuladas, que não há por que elas deixarem de ser entendidas pelos respondentes.

Só que não o são! Eles as respondem com toda a sinceridade, como se espera dos respondentes, as respostas são trazidas para o escritório, digitadas, tabuladas, analisadas e interpretadas. Às vezes, mal interpretadas. Mas por quê?

Bem, as causas de má interpretação de respostas em pesquisa podem ser várias, mas uma delas é: o contexto da pergunta, tal como formulada pelo nosso valoroso Otacílio, era diferente do contexto do respondente.

Como assim, “contexto do respondente”?

Vamos lá. Imagine uma pergunta como “Você ficou doente nos últimos 30 dias?”. O que, exatamente, ela quer investigar? Alguns respondentes, para os quais uma gripe de curta duração, é considerada uma doença, responderão que sim – mesmo que eles não tomem nenhum remédio, não faltem ao trabalho nem mudem significativamente sua rotina diária. Para outros, “doença” pode ser algo necessariamente associado a tratamento, medicação e repouso. Também é possível que, para um terceiro grupo de respondentes, “doença” seja sinônimo de “internação hospitalar”. E aí?

E aí, o nosso garboso Otacílio estará lidando com respostas totalmente heterogêneas, como se fossem uma coisa só. Como se chama isso? Erro de pesquisa!

Onde foi que o Otacílio errou? Adotando o seu entendimento de “doença” como se fosse o do público-alvo da sua pesquisa. Esses entendimentos poderiam até coincidir; mas não necessariamente. Sendo assim, caro Otacílio, nos próximos questionários que você elaborar, não conte como certo que os seus respondentes pensem como você. O quê? Como fazer para evitar essa armadilha? Não é difícil. No nosso exemplo, bastaria subdividir a pergunta. Você poderia ter substituído a sua pergunta por um grupo de outras, como estas: se o respondente sentiu dores; se faltou ao emprego; se tomou remédios; se chegou a ser hospitalizado; etc. Diante das respostas a essas perguntas, aí sim, meritório Otacílio, você teria muito mais condições de enquadrar as demais respostas do público. E sem se preocupar em definir se as situações descritas constituíram doenças, mal-estares, indisposições, moléstias, padecimentos, incômodos, etc.

Mais simples ainda: dê a sua definição de doença, mantenha a pergunta e seja feliz.

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