Observando o fato de que muitas pessoas que se propõem a “malhar” no período de verão abandonam a academia antes de completarem o primeiro mês de exercícios, um professor de educação física teve a ideia de oferecer aos interessados um conjunto de exercícios que combinassem com a sua personalidade(!) Para isso, desenvolveu um questionário que visava a identificar alguns traços do seu perfil. Separei algumas perguntas, que servirão como base para discussões.

3.1) No trabalho, você é normalmente identificado como:

( ) O comunicativo

( ) O corajoso

( ) O companheiro

 

Antes de dizer qualquer coisa sobre a pergunta acima, reproduzo esta outra, do mesmo questionário:

3.2) No que você deve melhorar?

( ) Me planejar mais

( ) Ouvir mais as pessoas

( ) Ser mais decidido

Vamos lá, fiel leitor: o que você achou? Um horror, concordo (aliás, dois horrores!), mas por quê, exatamente? Isso mesmo: as opções de resposta passam longe de cobrir o universo de respostas possíveis! Como devem responder à pergunta 3.1 as pessoas que não tenham nenhuma das três características apresentadas? E como devem responder a 3.2 aqueles cujos pontos de melhoria são outros, diferentes dos que aparecem como opções de resposta? Sabe como ficam esses respondentes? A ver navios! Vimos esse problema na Dica nº 44.

 

Vejamos mais perguntas desse questionário.

3.3) Suas maiores qualidades são:

( ) Entusiasmo e carisma

( ) Objetividade e eficiência

( ) Colaboração e compreensão

No caso acima, o problema apontado nas perguntas 3.1 e 3.2 volta a se manifestar, mas surgiu um outro: opções de resposta sobrecarregadas, isto é, contendo dois conceitos, não necessariamente ligados correlacionados entre si. Imagine, interessado leitor, uma pessoa fortemente carismática, cuja fonte do carisma seja a ponderação, a sensatez, a inteligência, a autoridade moral, etc., mas que não tenha (ou não demonstre) um pingo de entusiasmo: deve assinalar a primeira opção ou não? E o que dizer do indivíduo que é compreensivo, mas não colaborativo? Ele aceita os argumentos dos demais, mas não se dispõe a colaborar ou compartilhar coisas com eles. Assinala a terceira opção ou não? Conclusão: temos aqui os problemas apontados nas Dicas nos. 44 e 05.

 

Vejamos mais duas, para terminar a análise das perguntas desse questionário.

3.4) Você assume riscos:

( ) Impulsivamente. Depois analisa os resultados.

( ) Se tiver certeza de que vai conseguir atingir plenamente o seu objetivo

( ) Se tiver alguém para lhe dar apoio

 

3.5) Você costuma tomar uma decisão:

( ) Rapidamente e de modo intempestivo

( ) Somente depois de analisar os riscos

( ) Demora, sofre e com uma dúvida enorme

 

Você com a palavra, estimado leitor. Se você identificou uma falta de contextualização nas perguntas, bingo! De fato, ambas parecem flutuar no céu das boas intenções, sem se fixar em nada especial. Vejamos a 3.4: será que as pessoas se comportam da mesma maneira diante de uma situação de risco? Por exemplo, um sujeito “atiradinho” encara o risco da compra de um imóvel ou da aplicação de dinheiro em um novo fundo de investimento com a mesma impulsividade com que se lança à conquista de uma mulher por quem se sentiu atraído? Como é que alguém pode responder à pergunta sem saber do que ela trata?

No caso da pergunta 3.5, temos uma situação análoga: um indivíduo pode perfeitamente tomar decisões rápidas quando se trata de escolher lugares onde passar as férias, restaurantes onde fazer uma comemoração e até projetos profissionais que lhe são oferecidos. Pois a mesma pessoa pode sofrer o diabo na hora de, por exemplo, ter que escolher um colégio para os filhos, resolver um atrito familiar ou comprar um presente para a mulher. Como ele deve responder à pergunta?

Impossível, concorda, caro leitor? Tratamos o assunto da contextualização na Dica nº 27. Querendo mergulhar um pouco mais no assunto, é só dar um pulinho lá.

Teste Teste Teste