Grande parte das decisões que tomamos na vida é de natureza dicotômica, isto é, envolvem uma escolha entre duas alternativas: Conto ou não conto o que acabo de ver? Saio ou não saio com esse cara? Começo a malhar agora ou espero o verão chegar? Praia ou serra? Voto ou anulo? À vista ou a prazo? Poupo ou gasto? Solto o verbo ou me calo? Etc. Não admira que muitas das perguntas, em questionários de pesquisa, tenham, como opções de resposta, pares opostos, do tipo sim / não. Ou seja: alternativas dicotômicas.

Acontece que, muitas vezes, esse tipo de resposta é insuficiente para contemplar adequadamente o que o indivíduo pesquisado gostaria de responder. Isso em geral ocorre quando as perguntas apresentam um tantinho de complexidade – tantinho esse que impede que as perguntas sejam adequadamente respondidas na base do sim/não, a favor/contra; etc.

Imagine que uma empresa de soluções de informática tenha vendido um pacote de software para um cliente há algumas semanas. A empresa deseja agora saber em que medida o software está atendendo o seu cliente. Para isso, desenvolveu um questionário, que, entre outras, teria a seguinte pergunta: “O software XYZ atende às necessidades da sua empresa?”[1]

Imagine agora que os usuários julguem que o produto atende em parte, mas deixa a desejar em alguns pontos. Como responder isso, se as alternativas de resposta forem “sim” e “não”?

Esse é um típico caso em que uma escala dicotômica não dá conta da gama de respostas possíveis (e necessárias). Muito melhor, em casos como esse, é usar uma escala com mais alternativas de resposta. Uma possibilidade seria algo como: “Atende plenamente” / “Atende em grande parte” / “Atende mais ou menos” / “Atende pouco” / “Atende muito pouco”.

Escalas como essa recebem o feio nome de multicotômicas. Portanto, ao criar a sua escala de respostas para perguntas de questionários, você tem dois palavrões dentre os quais deve escolher um. Quem irá indicar o mais adequado é a natureza da pergunta.

 


[1] Obs. A pergunta, por ser genérica demais, não é boa. Resolvemos mantê-la mesmo assim, para não termos que entrar com detalhes técnicos de informática, como integração, segurança, facilidade de configuração, etc.

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