Não é só a linguagem escrita formal, empregada nos questionários de pesquisa, que me interessa; todo tipo de linguagem me atrai, seja ela constituída por símbolos, sons, gestos, mímica, o gestual dos surdos-mudos, etc. Em particular, me fascina a linguagem corporal: o palestrante que não sabe onde enfiar as mãos diante de uma plateia; o cidadão que bufa, tamborila os dedos e consulta constantemente o relógio numa fila de espera; o lutador de MMA que não consegue olhar nos olhos do seu oponente no momento da preleção do juiz; o pegador que infla o peito ao abordar a moça que ele elegeu como sua próxima conquista; o pai que pressiona seguidamente os lábios, na tentativa de disfarçar a onda de bocejos de tédio que o assola na apresentação de fim de ano da escola do seu filho; etc.

Nesse universo, o que mais me cativa são os casos em que a linguagem corporal inconscientemente desdiz a linguagem verbal – por exemplo, você vê duas pessoas conversando numa mesa de café; A está dizendo a B do prazer que é estar com ela, de como poderia ficar horas papeando com ela, que eles deveriam se encontrar com mais frequência, etc., etc. Mas os pés de A estão voltados para fora! Ou seja: acima da mesa, tudo são amabilidades; lá embaixo, no chão, os pés gritam: “Quero ir embora daqui! Já!”

Mas por que eu estou falando de linguagem corporal num blog de dicas de redação de questionários de pesquisa?

Associação de ideias, intrigado leitor. Associação de ideias. Não é nada incomum toparmos com questionários em que, com toda a gentileza, as empresas pedem opiniões dos respondentes por escrito, mas... cadê o espaço para isso? Não é fornecido! Às vezes ainda é possível usar o verso do questionário para se registrar a opinião, mas nem sempre o verso está livre. Nesses casos, é como se a empresa dissesse: “Sua opinião é muito importante para nós... só que não!”

Ou seja, consciente leitor, se você realmente estiver interessado no que o seu público tem a dizer, dê a ele os recursos para isso. No mínimo, um espaço decente no seu questionário, OK?

Teste Teste Teste