Você já foi preso alguma vez, caro leitor? Consome ou já consumiu drogas ilícitas? Já subornou alguma autoridade? Se soubesse que não causaria danos a terceiros, fraudaria documentos ou declarações para obter algum benefício próprio? Já mentiu alguma vez para obter uma gratificação sexual? Sofre ou sofreu de incontinência urinária?

Julgou constrangedoras as perguntas acima, chocado leitor? Pois são mesmo. Isso significa, então, que elas jamais deveriam constar de questionários? Não necessariamente; muitas vezes, elas são o cerne da pesquisa. Mas as pessoas respondem honestamente a esse tipo de perguntas? Depende. Garantir, não podemos; o que podemos é nos cercar de alguns cuidados para tentar evitar que os respondentes se sintam intimidados, constrangidos ou ofendidos e deixem de responder ao questionário.

Uma medida nesse sentido é redigir uma introdução ao questionário, destacando a natureza e o objetivo da pesquisa e a importância de se contar com respostas sinceras. Nessa introdução, costuma-se garantir a confidencialidade dos dados, isto é, a não-identificação do respondente (que, por coerência, é bom que não seja pedida ao longo do questionário). Quando a pesquisa é feita por um instituto de renome ou contratada por uma instituição de boa reputação, a credibilidade da pesquisa evidentemente aumenta.

Outra medida providencial é deixar as perguntas embaraçosas para o final do questionário. Isso faz todo o sentido, não acha, ponderado leitor? Uma coisa é a pessoa ser submetida, de cara, a uma pergunta sobre um problema de saúde; outra é a pergunta aparecer depois de várias outras que “dão o tom” do questionário.

Considere a pergunta sobre incontinência urinária, por exemplo. Ela se mostrará muito mais palatável se vier acompanhada de outras que tratem de assuntos como problemas no período de convalescência de uma cirurgia, ingestão de alguns medicamentos (como diuréticos, tranquilizantes, remédios para tosse, etc.), gravidez, ganho de peso, etc. O mesmo vale para todas as outras perguntas encontradas no primeiro parágrafo desta Dica. De modo geral, convém seguirmos a regra prática que estabelece que, em questionários de pesquisa, questões muito polêmicas devem ser lançadas depois de questões menos polêmicas.

É importante destacar que não só perguntas constrangedoras devem ficar no fim do questionário. A regra vale para qualquer pergunta pela qual o respondente possa sentir-se “ameaçado”. Exemplos clássicos disso são as perguntas que envolvem bens e dinheiro. Qual é o seu salário mensal? Qual é a sua renda familiar bruta? Quantos automóveis o senhor possui? Quantos banheiros tem o seu apartamento?

O recomendado é que todas essas perguntas sejam feitas ao final. Aliás, sacativo leitor, esse cuidado é, em grande medida, intuitivo. Você gostaria de responder a um questionário que já começasse perguntando quanto você ganha?

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