Se você não leu a Dica nº 49, saltitante leitor, leia-a, por favor. Se a leu, responda à seguinte pergunta: se é tão importante mantermos igualmente espaçadas as opções de resposta de uma escala intervalar para não criarmos confusão na cabeça dos respondentes, o que será que acontece quando, entre as opções, incluímos categorias como “Não sei”, “Não usei”, “Não se aplica”, etc.?

Perguntinha danada essa, hein?

Imagine que o redator de um questionário autoadministrado (isto é, que vai ser respondido diretamente pelo respondente, sem a intermediação de um pesquisador) tenha apresentado a seguinte escala para a resposta a determinada pergunta:

( ) Péssimo
( ) Ruim
( ) Regular
( ) Bom
( ) Ótimo

Criterioso, o redator teve o maior cuidado em garantir um espaçamento constante entre as categorias no leiaute do questionário. Ocorre que ele decidiu incluir também a categoria “Não se aplica”. Graficamente falando, como ele deve fazer essa inclusão: mantendo o espaçamento que usou para as demais categorias ou não?

Bem, como discutimos exaustivamente na Dica nº 49, o emprego de um espaçamento constante entre as categorias de resposta transmite ao respondente uma ideia de continuidade. Ora, se incluirmos sequencialmente opções de resposta em que parte delas pertence a uma escala e parte não, já temos motivo suficiente para ficarmos com a pulga atrás da orelha. Na pressa, o respondente pode “entender” as últimas categorias da escala como parte integrante dela, e aí todo o equilíbrio buscado vai pelo ralo.

De fato; imagine dois respondentes: João adorou irrestritamente o objeto que está sendo avaliado na pesquisa. Ele passa os olhos pela escala, vê que ela começa com “Péssimo” e “Ruim” e, sem ler as demais categorias, tasca o seu “x” na última posição... que vem a ser o “Não se aplica”! Pedro também gostou do objeto avaliado na pesquisa, mas não irrestritamente. Automaticamente, ele assinala a penúltima posição da escala... que vem a ser a categoria “Ótima”.

Ou seja: dois respondentes fizeram a sua avaliação e ambos erraram a marcação. Só que o que aconteceu com esses dois pode acontecer com centenas. E lá se vai a qualidade dos dados coletados.

Não é raro encontrarmos questionários nos quais, em seguida às categorias de uma escala ordinal ou intervalar, segue-se não uma, mas duas ou três opções que nada tem a ver com a escala. Fico apenas imaginando o festival de marcações erradas que isso pode acarretar.

Conclusão: respondendo à pergunta lançada no primeiro parágrafo desta Dica, devemos cuidar para destacar, muito bem destacadas, as opções de resposta que não pertencem à escala empregada. Esse destaque pode ser feito de várias maneiras: por espaçamento, por cores de letras ou de fundo, por linhas de contorno que sugiram uma separação, etc. Seja como for, estaremos lançando mão de recursos da linguagem gráfica em nome de uma adequada compreensão das opções de resposta por parte dos respondentes.

Teste Teste Teste