Você está motivado para criar o seu questionário? Ótimo! Está sendo bem pago para fazê-lo? Melhor ainda! O assunto é instigante? Maravilha! Você vislumbra a possibilidade de que os resultados da pesquisa tragam grandes melhorias, tanto para quem encomendou a pesquisa quanto para o público a quem ela se destina? Isso é o paraíso! Só não se esqueça de um “detalhe”: o público, de onde surgirão as preciosas respostas – matéria-prima do seu trabalho – pode não estar tão interessado ou motivado como você.

Já vi muitos consultores – e, para ser honesto, tenho que admitir que já dei umas escorregadas nesse sentido duas ou três vezes – agirem como se o público fosse uma mera engrenagem do grande processo de pesquisa. A atenção desses consultores é integralmente voltada aos aspectos técnicos da pesquisa (definição do espaço amostral, decisão quanto aos meios de aplicação do questionário, elaboração das perguntas, tratamento dos dados, etc.). A aplicação do questionário, no entender desses consultores, seria “apenas” mais uma etapa do processo, de onde sairão as respostas a serem analisadas. Pensando dessa maneira, eles parecem considerar como certo que, diante do questionário, as pessoas irão responder às perguntas, quase como se fosse uma... obrigação delas!

Ocorre que o público, evidentemente, não tem nenhuma obrigação de responder à pesquisa. Os respondentes, na verdade, estão é prestando um grande favor aos organizadores da pesquisa, fornecendo-lhes informação útil e necessária, na maioria das vezes gratuita.

É claro que existem muitos casos em que as pessoas têm o maior interesse em responder. Imagine um cliente insatisfeito com a prestação de um serviço recentemente contratado ou consumido: ele pode ver, no contato da empresa que o atendeu, uma excelente oportunidade de manifestar toda a sua insatisfação e terá todo o interesse em responder às perguntas.

Outro exemplo são as pessoas idosas: com poucos afazeres, poucas oportunidades de convívio social e pouca gente disposta a ouvir o que têm a dizer, elas podem responder, com a maior boa vontade, a quem as procura em busca de suas opiniões.

Só que nem sempre é assim que a coisa funciona: na maioria das vezes, nós, profissionais de pesquisa, podemos estar é importunando as pessoas, interrompendo-as em horário impróprio, perguntando-lhes coisas com as quais elas não têm o menor envolvimento e tomando o seu tempo com assuntos que interessam muito mais a nós do que a elas.

Em breves palavras: jamais podemos nos esquecer de que podemos estar incomodando as pessoas de quem dependemos. Temos que ter a humildade e o respeito de tratar o público respondente como ele é: o oxigênio que nos mantém vivos e atuantes como profissionais. Jamais se esqueça disso quando for criar e aplicar seus próximos questionários.

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