Imagine que numa pesquisa você pergunte às pessoas coisas como estas: se elas têm cobertura de seguro para determinado tipo de sinistro; se já fizeram compras em determinada rede de lojas; se já se hospedaram em determinado hotel; se já tiveram determinada doença; se assinaram uma determinada petição humanitária; se solicitaram os serviços de assistência técnica de determinada marca nos últimos 12 meses; se já requereram algum benefício do governo; quando foi a última vez em que viajaram por determinada companhia aérea; que bens possuem em casa; que idade têm; em que bairro moram. Escolhi essas perguntas considerando que as respostas poderiam ser verificadas em outras fontes ou por outros meios.

Você provavelmente imagina que, ao fazer perguntas como essas, as pessoas vão lhe dar respostas corretas, não? Pois prepare-se: você pode receber algumas respostas consideravelmente distantes da realidade.

São vários os motivos pelos quais as pessoas dão respostas incorretas: elas podem ter vergonha de admitir alguma coisa (caso, por exemplo, das doenças que tiveram, das lojas em que fazem ou fizeram compras ou da idade que têm); podem sentir desconfiança ou medo de dar certo tipo de respostas (como os bens possuídos); podem querer transmitir uma imagem de algo que não são (maquiando, por exemplo, as respostas sobre a assinatura da petição ou sobre o bairro onde moram); podem ter se esquecido de eventos (como no caso do hotel e do benefício público); podem não saber ou ter uma informação errada sobre certos assuntos (caso do seguro e da assistência técnica); ou podem simplesmente ter se enganado na resposta (ano da viagem). Se essas perguntas estiverem no seu questionário exatamente com o objetivo de lhe permitir avaliar o quanto as pessoas estão cientes, se lembram ou admitem certas coisas, ótimo: as respostas “incorretas” serão superimportantes para você. Mas se você as introduziu com o objetivo de estudar o quanto respostas a outras perguntas da pesquisa variam conforme as respostas que as pessoas dão para essas perguntas, então, amigo leitor, você pode estar com um problemão em mãos.

Lição que fica: Quando for analisar os resultados da sua pesquisa, se encontrar alguns números destoantes da maioria, não se desespere. Sobretudo, não tente “forçar a barra” de tentar arrumar explicações para absolutamente tudo. Pode ser que, por trás daqueles resultados estranhos, haja algumas dessas “respostas incorretas” que vimos.

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