Imagine que, num questionário de pesquisa, uma das perguntas peça ao respondente que liste os trabalhos manuais que ele/ela mais gosta de fazer. Imagine também que, no espaço destinado à sua resposta, a pessoa escreva (ou digite): encapar livros e cadernos, fazer embalagens e envelopes personalizados e criar peças em papel machê.

Beleza. Agora, imagine a mesma pergunta, com uma única diferença: em vez de um espaço em branco para o respondente registrar a sua resposta, oferece-se a ele uma série de opções, dentre as quais ele pode assinalar quantas desejar. Pergunto: você acha que as respostas de uma mesma pessoa a essa mesma pergunta seriam as mesmas nos dois casos?

Bom, eu mesmo perguntei e eu mesmo respondo: muito provavelmente não! A primeira forma – chamada “pergunta aberta” demanda algum nível de esforço do respondente, mesmo quando se trata de algo que lhe dê prazer e não requeira previsões ou cálculos trabalhosos; já no caso das “perguntas fechadas” (aquelas acompanhadas de opções de resposta), basta passar os olhos pelas opções e marcar um “x” onde couber.

Ou seja: dependendo do formato da questão, as respostas podem ser diferentes. Cabe, então, a pergunta crucial: qual é a certa, então?

A resposta à pergunta crucial é aquela que desespera quem está sempre em busca do “caminho das pedras”: depende!

Depende do seu objetivo ao incluir a questão. Se você quiser captar o que vai pela mente do respondente de forma espontânea, não hesite em adotar a forma aberta. Mas se isso não for importante para o objetivo da pesquisa (e é bom frisar que o mais importante pode ser conhecer toda a gama de trabalhos manuais de que a pessoa mais gosta), então o formato recomendável é o fechado.

Mesmo feita essa ressalva, é bom você saber que há muitas críticas a questionários que empregam questões fechadas. Os críticos alegam que, quando nós fornecemos opções de respostas aos indivíduos pesquisados, estamos oferecendo a eles a possibilidade de responder coisas que jamais lhes passariam pela cabeça. Não dá para negar: esse risco existe mesmo. A questão é avaliar que alternativa nos causa a menor perda: considerar, como respostas válidas, aquelas dadas só porque os respondentes as encontraram entre as opções ou trabalhar apenas com as respostas espontâneas, correndo o risco de deixar de fora respostas válidas que não foram dadas por mero esquecimento do respondente na hora de preencher o questionário.

Bom, feita essa avaliação, é bom você saber: nada impede que você use os dois formatos no mesmo questionário: você começa com a pergunta aberta e, depois que a pessoa terminou de dar a sua resposta e não tem como voltar atrás (o que se consegue com questionários eletrônicos ou aplicados por um pesquisador), você apresenta a lista de opções de resposta e pede que a pessoa indique se, na resposta anterior, faltou alguma coisa que está naquela lista. Esse pode ser um excelente recurso... se o objetivo da sua pesquisa for comparar o conjunto de respostas espontâneas com o de estimuladas.

Uma coisa que você deve ter sempre em mente é que o trabalho de tabulação de respostas a perguntas abertas costuma ser infinitamente maior do que a perguntas fechadas. Ou seja: perguntas abertas são como pratos de camarão: ótimas, mas dão um trabalho infernal.

Lição que fica: o conjunto de respostas que você obtém de um questionário de pesquisa não é uma verdade absoluta, como os ensinamentos iluminados que os gurus captam diretamente de uma divindade e transmitem a seus seguidores ávidos pela Verdade. Essas respostas são o produto de uma série de fatores, entre os quais o formato que você escolheu para as questões. Tenha sempre em mente a origem dessas respostas. Raramente o que você obtém como resposta a perguntas abertas é exatamente o que você obtém como resposta a perguntas fechadas.

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