Em razão da minha atuação como professor, consultor e até mesmo como consumidor, já passou pelas minhas mãos uma infinidade de questionários de pesquisa. Os erros que encontrei neles, em quantidade e em diversidade, eram tão numerosos, que sempre me espantou o fato de que era com base neles que empresas desenhavam estratégias, adotavam ações corretivas ou tomavam decisões gerenciais. É como se os pilares que sustentavam toda a estratégia dessas organizações fossem cravados em areia movediça!

É bem verdade que erros em pesquisas podem provir de um sem-número de causas que nada têm a ver com a elaboração de questionários problemáticos. De fato, a literatura e a prática são fartas em exemplos de problemas como amostras inadequadas para representar a população de interesse da pesquisa, recusa do público-alvo em responder, escolha de meios, horas e locais impróprios de se abordar o público a ser pesquisado, emprego de métodos estatísticos incompatíveis com o tipo de dados obtidos, interpretações equivocadas dos resultados, etc. Esses são apenas alguns poucos exemplos da infinidade de motivos possíveis de fracasso em pesquisas. No entanto, parece-me que tanto as escolas quanto as empresas – e até mesmo a literatura técnica sobre pesquisa(!) – dão mais atenção a esses problemas do que àquilo que poderíamos chamar de “a arte e a ciência de elaborar bons questionários de pesquisa”. Isso é impressionante, pois é sabido que um enunciado malfeito de uma pergunta pode gerar distorções tremendas dos resultados – distorções até maiores do que uma amostra inadequada, por exemplo.

Nas empresas, a tarefa especializada de desenvolver ferramentas de coleta de dados é muitas vezes delegada a pessoas a quem faltam os fundamentos e a experiência na construção de questionários de qualidade, ou então a profissionais do tipo “pau para toda obra”, que têm como funções, além de formular as perguntas do questionário, conduzir os pré-testes e a revisão; providenciar a sua impressão (ou programação num sistema computadorizado); selecionar, treinar e supervisionar os entrevistadores; realizar entrevistas; tabular as respostas; analisar os resultados; produzir o relatório; e apresentar os resultados. A consequência disso é uma atenção fragmentada desse profissional. Não admira que ele não tenha tempo de burilar o enunciado de cada pergunta como deveria.

Existe também uma certa resistência das empresas a mudar a forma como uma pesquisa vem sendo feita. Alguns gerentes alegam o receio de perder a possibilidade de fazer comparações históricas; outros simplesmente questionam: “Para que mudar o questionário, se ele tem funcionado assim há anos?” O que esses gerentes provavelmente se esquecem é que uma coisa é funcionar; outra, muito diferente, é funcionar bem.

Se a minha avaliação é correta, deve existir então um grande interesse não satisfeito, por parte de um vasto público – de universitários a gerentes de comunicação e marketing, passando por técnicos de pesquisa, em conhecer um pouco dessa arte e dessa ciência. É com isso em mente que eu criei este blog, de dicas para a elaboração de questionários de pesquisa. Em cada post pretendo trazer um assunto diferente, sempre acompanhado de exemplos e explicações. Não tenho a pretensão de achar que, tendo acompanhado as minhas publicações regularmente, o leitor vá se tornar um expert na confecção de questionários. Acredito, no entanto, que a leitura atenta destas Dicas o fará evitar erros grosseiros dos quais ele possivelmente jamais poderia suspeitar.

Aos leitores que me acompanharem neste blog, desejo um bom proveito.

Teste Teste Teste